Análise técnica do filme: A chegada

Muitas pessoas gostam de assuntos que envolve a vida terrestre. O que é muito bem retratado pelo filme “A chegada” do diretor Denis Villeneuve, que conta a história de Louise, uma Linguista contratada para uma única tarefa, descobrir o propósito da chegada de seres extraterrestres, através da comunicação, e analisaremos as ferramentas de sonorização e montagem que trouxeram o resultado do filme que rendeu 8 indicações ao Oscar, em 2017.

Por isso preparem-se, pois é necessário contar com alguns pequenos spoilers para dissecar a preparação do filme.

O começo do filme

O filme começa com a frase “eu costumava pensar que esse era o começo da nossa história” em voice over, e logo em seguida, “estamos tão presos ao tempo; à sua ordem”, e sem perceber essas palavras se tornam uma alusão de como a história será contada, dando uma dica do que acontecerá ao desenvolver do filme inteiro. Essas frases são ditas em um único plano, acompanhada de cenas em montagem rítmica (respeita a importância de cada quadro), apenas intercalando imagens, criando o que no início achamos ser flashbacks, para dar sensação de “lembrança” contribuindo para ilusão de tempo, construindo desde aí, a intenção narrativa.

Tudo no início do filme está ligado ao começo e fim; a frase “volta pra mim” quando a protagonista pega sua filha dos braços da enfermeira, no começo. Mais tarde é a mesma frase dita por ela, no fim dessa sequência de planos, quando está se despedindo de sua filha. A sonorização nos primeiros planos que acompanham a premissa, começa como se fosse engatinhando, suave e pequena, e sem mudar ela cresce se tornando mais alta, junto da história.

O filme recebeu 2 indicações ao Oscar relacionados a sonorização da história, que é feita de forma tão sútil, mas guia toda a sensação e tensão do filme.

Meio do filme

A trilha aqui traz a sensação de ondas sonoras, e faz ter a ideia de algo fora do planeta. A montagem em todo o filme parece acompanhar o estado de espirito da personagem, mesmo diante do caos, ela permanece calma e isso é representado muito bem, pelos cortes que respeitam a importância de cada acontecimento.

Um bom exemplo de como os sentimentos da personagem são respeitados, é o percurso até o Óvni é utilizada a montagem métrica, que significa cenas longas seguida de cenas longas, o objetivo disso é, junto da sua falta de ar, finalizado por um enquadramento da concha (como chamam a nave), constrói a sensação de ansiedade, algo até mesmo claustrofóbico, uma sensação que oprime. A partir daí o estado de espirito dela muda, e por isso os cortes são mais rápidos.

O filme também ganhou indicação por melhor montagem de filme.

Final do filme

O caos começa a se instalar, através das notícias, toda incerteza é plantada pela própria falta de comunicação entre um país e o outro.

Aqui, a obra é finalizada com mesma voice over (narração), trazendo a conexão entre o início e o fim. Onde tudo começou e tudo termina, as cenas são intercaladas com Flashforge, trazendo nostalgia e até melancolia, e o começo se funde ao fim, como no nome Hannah, que se lê do mesmo jeito de trás para frente, seu futuro será o mesmo, apesar de visto de trás pra frente, imutável.

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